Trabalhando com música

Eu Adoro Minha Televisão

Capital Inicial

Eu adoro a minha televisão
Ela me conta as coisas como elas são
Se as coisas vão mal
É só mudar de canal
Eu adoro minha televisão
Ela é: meus olhos, meu coração
Estando triste ou contente
O que eu sinto, ela sente
Eu prefiro ficar
Deitado no sofá
Olhando a maravilhosa vida dos outros
Passar
Eu adoro minha televisão
Diante dela eu fico sem ação
Ela me faz muito bem
Eu não preciso de mais ninguém
Eu adoro a minha televisão
Felicidade apertando um botão
Vejo o que eu nunca vou ter
Vejo quem eu nunca vou ser
Eu prefiro ficar...

 
Vídeo para refletir sobre nosso papel na produção e recepção do conteúdo audiovisual. Remontagem com imagens do filme "Fahrenheit 451" e a música "Eu adoro minha televisão".
 
 
_________________________________________________________________________________________________________________________________
 
Morte e vida Severina - música de Chico Buarque

 Morte e Vida Severina

Chico Buarque 

Esta cova em que estás, com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida

É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida

É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo, te sentirás largo

É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas à terra dada não se abre a boca

É a conta menor que tiraste em vida

É a parte que te cabe deste latifúndio
(É a terra que querias ver dividida)

Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas à terra dada não se abre a boca

 
 
Morte e Vida Severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Mello Neto, publicado em 1966.
O livro apresenta um poema dramático, escrito entre 1954 e 1955 e relata a dura trajetória de um migrante nordestino em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral.
Em 1965, a pedido do escritor Roberto Freire, diretor do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), o músico Chico Buarque musicou o poema para a montagem da peça. Desde então sua presença no teatro brasileiro tem sido constante.
 
 
 
 
__________________________________________________________________________________________________________________________________
 
 
MEU PAÍS
 
Zezé de Camargo e Luciano
Aqui não falta sol
Aqui não falta chuva
A terra faz brotar qualquer semente
Se a mão de Deus
Protege e molha o nosso chão
Por que será que ta faltando pão?
Se a natureza nunca reclamou da gente
Do corte do machado, a foice, o fogo ardente
Se nessa terra tudo que se planta dá
Que é que há, meu país?
O que é que há?
Tem alguém levando lucro
Tem alguém colhendo o fruto
Sem saber o que é plantar
Tá faltando consciência
Tá sobrando paciência
Tá faltando alguém gritar
Feito um trem desgovernado
Quem trabalha tá ferrado
Nas mãos de quem só engana
Feito mal que não tem cura
Estão levando à loucura
O país que a gente ama
Feito mal que não tem cura
Estão levando à loucura
O Brasil que a gente ama.
 
 
 

Samuel Rosa canta Drummond - Poema de 7 faces

Poema de Sete Faces

Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

www.youtube.com/watch?v=SeSO15SuRiA